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Titulo do Artigo
Autor
Ano XXIV • 2007-03-31 • nº 1 •
Ética e comunicação social
 
palavra-chave
 
   

artigos
Media, web, @, cultura • pág 007
Rego, António
Os media e o cristianismo. "Só existe aquilo que se dá a ver" • pág 013
Duquoc, Christian
Competência dos media e responsabilidade. Conceitos-chave da comunicação dos media ao serviço do homem • pág 027
Lehmann, Karl
Reflexões sócio-éticas sobre o futuro da política da União Europeia para os media numa sociedade de informação • pág 045
COMECE - Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia
Religião e Media. Equívocos e possibilidades • pág 061
Marujo, António
Na agenda mediática do tempo e da cultura. Entrevista • pág 077
Clemente, Manuel
Hans Urs von Balthasar e o Concílio Vaticano II • pág 083
Henrici, Peter
A Europa e o Islão. Encontro e desafio • pág 095
Samir, Samir Khalil
Hitchcock. O mal e a redenção • pág 113
Terrien, Yann
Famílias do século XXI. A aventura da conciliação da vida familiar com o trabalho • pág 121
Roque, Marta


apresentação

MARIA C. BRANCO – M. GRAÇA PEREIRA COUTINHO – RUI MADEIRA

Os media, como instrumentos que visam servir a cultura, são também o reflexo da cultura que eles próprios criam. O acesso e as escolhas para os utilizadores dos antigos meios de comunicação social (rádio, imprensa escrita, televisão) e dos novos (internet e outras tecnologias de informação) desenvolvem-se a um ritmo extremamente rápido. A distinção entre publicidade, entretenimento e informação é cada vez mais fluida, e a globalização dos media torna particularmente difícil a vigilância dos conteúdos e sua difusão, para não falar do controlo sobre os próprios media. A “sociedade de informação” traz-nos muita esperança, mas também nos coloca desafios de natureza ética e social enquanto cidadãos e enquanto cristãos.
Temos assistido, nos últimos tempos, a um recrudescimento dos debates relacionados com tudo o que está ligado aos meios de comunicação social: liberdade de expressão, independência da informação em relação a governos e grandes grupos financeiros, ética dos jornalistas, etc.. Estas e outras questões levam-nos a fazer uma avaliação da maturidade de uma sociedade democrática, em que são diferentes as esferas que regulam, p. ex., o que é obrigatório, o que é tolerado, o que é aceitável.
Reflectir sobre toda esta problemática era a intenção primeira deste número da COMMUNIO que tem por tema “Ética e comunicação social”. Por razões que nos ultrapassam não conseguimos ter a tempo de serem agora publicados alguns dos artigos que pedimos e, por isso, o número acaba por incidir sobretudo numa perspectiva eclesial da relação com os media e na forma como a Igreja é convidada a discernir os desafios que lhe são colocados pelas novas tecnologias e consequente evolução dos media.
O fascículo abre com um artigo de António Rego, “Media, Web, @, cultura”, em que o autor nos apresenta o lugar que a comunicação ocupa no mundo hoje e quais as questões que levanta à Igreja a cultura comunicacional em que nos movemos.
O padre dominicano Christian Duquoc, no texto “Os media e o cristianismo. ‘Só existe aquilo que se dá a ver’ ”, parte da constatação de que a presença mediática cria a existência pública. Quem não tem acesso aos media não existe, o que pode tornar difícil a tarefa do cristianismo que anuncia um Deus “que nunca ninguém viu” (Jo 1,18) e que Jesus quis tornar visível por seu próprio intermédio: “Quem me vê, vê o Pai.” (Jo 14,9) Somos levados a dizer que, neste panorama actual, sem a sua narrativa bíblica Deus não existiria, não usufruiria do espaço público. Poder-se-á comparar a presença pública organizada pelos media com a presença pública que já os profetas de Israel reivindicavam para Deus?
Sabemos como tem sido preocupação constante da Igreja e de vários organismos públicos, a questão do acesso à internet por parte de crianças e jovens. Na Alemanha, em 2006, chegou-se a um “Acordo dos Estados sobre a protecção dos jovens em relação aos media” e, a esse propósito, o canal televisivo alemão ZDF organizou uma conferência em que participou o cardeal Karl Lehmann, presidente da Conferência Episcopal Alemã, com uma comunicação intitulada “Competência dos media e responsabilidade”. Partindo da ideia da responsabilidade enquanto categoria-chave, como garantir efectivamente a protecção dos jovens no domínio mediático? Que critérios éticos a ter em conta na criação e fornecimento de programas? Estas algumas das questões que são tratadas neste texto.
A COMECE (Comissão dos Episcopados da União Europeia) criou um grupo de trabalho sobre a sociedade de informação, as comunicações e a política dos media, que procura analisar e avaliar os riscos associados às evoluções neste sector, tendo em conta, particularmente, a forma como é, ou não, respeitada a dignidade humana e se serve, ou não, o bem comum. Entre os vários trabalhos que têm publicado, destacámos o documento “Reflexões sócio-éticas sobre o futuro da política da União Europeia para os media”, que se debruça, em particular, sobre as questões éticas colocadas pela internet e os desafios para uma política da UE sobre o audiovisual.
António Marujo, jornalista do “Público” para as questões religiosas, ganhou em 2005 o Prémio Templeton de Jornalismo, instituído pela Conferência das Igrejas Europeias, prémio que recebeu no Grémio Literário em 2006, tendo na altura proferido a comunicação que agora apresenta-mos: “Religião e media. Equívocos e possibilidades”. O autor, fazendo eco da sua experiência de jornalista, defende que existe ainda hoje grande desconfiança, tanto do lado da Igreja como do lado do jornalismo em geral, o que conduz a que frequentemente se criem equívocos entre ambos os lados, mas acredita que as possibilidades de “encontro” existem de facto.
A terminar a parte temática do número, apresentamos uma pequena entrevista dada por D. Manuel Clemente (agora Bispo diocesano do Porto) a Paulo Rocha, da Agência Ecclesia, enquanto presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, sobre as principais preocupações da hierarquia católica em Portugal, no âmbito dos media.
A secção Perspectivas, abre com o texto de Peter Henrici sobre “Hans Urs von Balthasar e o Concílio Vaticano II”, apresentado num convénio organizado, em 2005, pela edição italiana de COMMUNIO, para celebrar o centenário de H.-U. von Balthasar. Embora não tenha sido convidado a participar no Concílio Vaticano II como perito, von Balthasar influenciou-o pelo seu pensamento e acabou por nele estar presente em espírito. Como tudo aconteceu, é o que nos conta o autor.
Samir Khalil Samir, padre jesuíta árabe nascido no Egipto e leccionando no Líbano, é um dos maiores conhecedores da realidade do islão e dos desafios que a religião islâmica vem colocando, nomeadamente à Europa. O texto que apresentamos é resultado de uma conferência que fez na Holanda, organizada pela edição flamenga da COMMUNIO, intitulada “Europa e Islão. Um encontro e um desafio”.
Em seguida, uma curiosa entrevista a Yann Terrien sobre a dimensão religiosa do cinema de Alfred Hitchcock. Por fim, um pequeno texto, mas de grande actualidade, sobre “Famílias do sec. XXI. Conciliação da vida familiar com o trabalho”.

 
  KEOPS multimedia - 2006