Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Condições de assinatura para 2013 e 2014
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XXVI • 2009-12-31 • nº 4 •
Paternidade e Maternidade
 
palavra-chave
 
   

artigos
Desafios à paternidade na cultura actual • pág 391
Savanti, Alicia Zanotti de
O papel da mãe e do pai na transmissão da fé • pág 403
Ambrosio, Juan Francisco
As virtualidades do pensamento maternal • pág 415
Ferreira, Maria Luísa Ribeiro
Teremos uma identidade sexual? Ontologia e ordem simbólica • pág 425
Boulnois, Olivier
O reconhecimento da paternidade na relação educativa • pág 439
Bellingreri, Antonio
Quando se espera dos professores que sejam pais... e mães • pág 451
Ataíde, Maria João Avillez
Paternidade e parentesco tradicionais numa sociedade da África Central. O caso dos Beti dos Camarões • pág 459
Laburthe-Tolra, Philippe
Em nome dos pais. Histórias de paternidade no grande ecrã • pág 467
Gatti, Maria Vittoria
Quando os pais são adoptados • pág 473
Boléo, Maria Luísa Paiva
A Missão no feminino • pág 479
Silva, Maria de Fátima Gama
"Morreste-me". Recensão • pág 483
Falcão, Maria Luísa
Igreja e Europa na teologia de Joseph Ratzinger • pág 489
Wiedenhofer, Siegfried


apresentação

M. GRAÇA P. COUTINHO – JUAN AMBROSIO – M. LUÍSA R. FERREIRA

 

Não é preciso ser um observador muito atento para ver como as questões relativas à família estão, hoje, na ordem do dia. E isto não simplesmente pelo facto de se estarem a discutir na nossa sociedade os modelos familiares, mas também, e talvez sobretudo, porque em relação às grandes temáticas que nos inquietam acabamos sempre por ser remetidos para a realidade familiar.
É assim quando pensamos na educação, âmbito no qual a reflexão vai normalmente cruzar-se com as questões familiares, por reconhecer-se que a relação família-escola não é, de um modo geral, a melhor nem a mais desejável.
É assim quando pensamos na cidadania e na intervenção política, pois de uma maneira ou de outra acabamos por reconhecer que algumas das linhas fundamentais desta intervenção se aprendem e desenvolvem na “constelação” familiar.
É assim, também, quando pensamos outro tipo de realidades como aquelas que estão relacionadas com os sentimentos, com o relacionamento entre as pessoas, com os valores que devem estar presentes na construção do futuro, com a capacidade de ter esperança e de trilhar caminhos a partir dessa mesma esperança, e podíamos continuar a acrescentar esta lista tocando praticamente em todos os sectores da vida humana e da sociedade.
A verdade é que, por detrás das questões que consideramos essenciais para o nosso futuro, acabamos sempre por cruzar o nosso olhar com a realidade familiar.
Mas se isto é verdade, também é verdade que muitas vezes, demasiadas, esse olhar se reduz a uma visão  tão global que acaba por não focar aspectos concretos e fundamentais da família. O papel da maternidade e da paternidade encontram-se, sem dúvida, entre esses aspectos.
Tentar perceber melhor em que consiste esse papel que certamente vai muito para além do exercício de uma mera função, que mudanças foram acontecendo e continuam a acontecer e que consequências podem daí advir, são algumas das preocupações que estão na base deste número da Revista COMMUNIO que agora pomos na mão dos nossos assinantes e leitores. Com ele pretendemos chamar a atenção para esta realidade tão fundamental como é o ser mãe e ser pai e contribuir para uma reflexão que possa ajudar a identificar e enfrentar alguns dos desafios que a esse nível hoje se levantam.
Com a ajuda de Alicia Zannotti de Savanti em Desafios à paternidade na cultura actual tentamos perceber um pouco melhor a desvalorização que hoje sofre a simbólica paterna, fruto dos desenvolvimentos das teorias de género e das mutações sociais entretanto ocorridas. A autora analisa aspectos da cultura contemporânea e interroga-se quanto ao papel do pai num mundo que tende para uma feminização.
Reflectir sobre o papel da mãe e do pai na tarefa da transmissão da fé é o objectivo que Juan Ambrosio se propõe trabalhar no seu texto. Nele olha para a própria transmissão da fé e, a partir de experiências concretas do viver, avança com algumas notas para a compreensão da importante missão que as mães e os pais são chamados a desempenhar a este nível.
No âmbito das filosofias feministas, nomeadamente das éticas do cuidado, Maria Luísa Ribeiro Ferreira em As virtualidades do pensamento maternal pretende apresentar o pensamento maternal como uma categoria do pensamento filosófico, a partir da qual é possível levantar problemas éticos, epistemológicos e existenciais.
Olivier Boulnois no seu texto Teremos uma identidade sexual? coloca o problema da diferença sexual num plano ontológico e simbólico, elegendo a paternidade e a maternidade como concretizações de uma diferenciação formal e desenvolvendo o alcance simbólico de tal diferença.
No artigo O reconhecimento da paternidade na relação educativa, Antonio Bellingreri alerta para a importância de se reconhecer a especificidade da presença paterna e materna para o crescimento equilibrado dos filhos. Partindo da filosofia de Paul Ricoeur, o Autor desenvolve uma reflexão hermenêutica que pretende caracterizar uma nova concepção do papel da paternidade na educação.
Olhar para algumas das perspectivas mais evidentes sobre a função dos professores e da escola é a proposta que nos faz Maria João Avillez Ataíde. No seu texto, intitulado Quando se espera dos professores que sejam pais... e mães, a Autora analisa as mutações ocorridas na escola de hoje bem como as consequências destas na função docente, refere que os professores são cuidadores e mestres tanto no plano pedagógico como no afectivo e espiritual, e chama a atenção para a importância desta realidade, sobretudo quando sabemos que a vida da esmagadora maioria das criança e jovens adolescentes portugueses decorre entre dois pólos, a casa e a escola, entre os quais a convergência necessária e desejável com frequência não é conseguida.
Pierre Laborthe-Tolra, em Paternidade e parentesco tradicionais numa sociedade da África Central. O caso dos Beti dos Camarões, apresenta o exemplo de uma sociedade onde o cristianismo se confronta com concepções culturais muito diferentes das do mundo bíblico, nomeadamente quanto à noção de paternidade/autoridade e suas consequências no âmbito da filiação biológica/filiação legal.
O cinema tem dado diferentes perspectivas sobre a imagem do pai. No artigo Em nome dos pais. Histórias de paternidade no grande ecrã, Maria Vittoria Gatti analisa alguns filmes contemporâneos nos quais destaca modelos paternais que todos conhecemos, desde o pai que encarna a autoridade a figuras parentais onde primam a desorientação, o cansaço ou mesmo a ausência.
Na secção normalmente consagrada aos depoimentos apresentamos, neste número da COMMUNIO, duas experiências e uma recensão. Pelo testemunho de Luísa Paiva Boléo somos levados a olhar para a experiência da adopção, como uma experiência em que pais (neste caso uma mãe) e filhos (neste caso três filhos) se adoptam mutuamente. A irmã Espiritana Maria de Fátima Gama da Silva, depois de uma prolongada experiência de missão, encontra-se neste momento no Instituto Católico de Paris onde desenvolve um trabalho na Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas acerca da originalidade da missão no feminino. Transcrevemos aqui, a modo de depoimento, duas das suas experiências que estão na base desse estudo.
Luísa Falcão, na recensão que faz ao livro de José Luís Peixoto, Morreste-me, Lisboa: Quetzal Editores 2009 (4ª edição), diz-nos que “uma das coisas mais belas deste livro é que todo ele é um ‘monólogo em diálogo’ com o pai, e não um solilóquio perdido nas reminiscências de um passado morto. E mesmo quando a saudade magoa mais fundo como ‘a dor sem remédio de perder-te’, a palavra ‘pai’ surge em forma de vocativo, como porta que se abre a uma conversa a dois, onde o conselho do pai: ‘Orienta-te, rapaz’ se funde com a inexperiência do filho no dia-a-dia da educação como testemunho e passagem de valores. É um leitmotif que percorre as sessenta pequenas grandes páginas da obra: ‘Orienta-te, rapaz. Eu oriento-me, pai. Não se preocupe’ (p.13).” Certamente um bom convite a ler esta obra.
Finalmente, nas Perspectivas, Siegfried Wiedenhofer, profundo conhecedor da teologia de Joseph Ratzinger, expõe-nos o pensamento do actual Papa sobre as principais questões relativas à identidade cultural da Europa e das suas origens cristãs. A sua apresentação desenvolve-se em torno dos temas da evangelização da Europa, dos pressupostos teológico-filosóficos da relação Igreja-Estado e, por último, da fundamentação da ética política. Certamente este texto ajudar-nos-á a conhecer um pouco melhor o pensamento do Papa que agora nos visita.

 
  KEOPS multimedia - 2006